M&A: Como foi 25 e Será 26
Mercado de Fusões e Aquisições (M&A)
Como foi 2025 e o que Esperar de 2026
O mercado de Fusões e Aquisições continuou a ser um dos principais motores de transformação empresarial em 2025. Após anos de incerteza marcada por inflação elevada, políticas monetárias restritivas e tensões geopolíticas, 2025 representou finalmente um ponto de viragem. Já 2026 promete ser um ano de aceleração, embora com nuances importantes para investidores, empresas e fundos. Analisamos o que moldou o mercado em 2025 e o que poderá definir o ritmo em 2026.
Como foi o Mercado de M&A em 2025
1. Um ano de recuperação gradual e sustentada
O ano de 2025 solidificou a recuperação que começou no final de 2024. A McKinsey aponta que o valor global das transações cresceu 12%, atingindo 3,4 biliões de dólares, beneficiando da dissipação de alguns dos principais obstáculos dos anos anteriores e de uma melhoria das condições macroeconómicas. A PwC reforça esta leitura ao indicar que os grandes negócios voltaram a ganhar força: transações acima de 1 bilião de dólares aumentaram 17% em 2024, sustentando o dinamismo observado em 2025.
2. Crescimento alimentado por tecnologia, IA e capital disponível
A adoção transversal de tecnologias emergentes, sobretudo inteligência artificial, contribuiu para um aumento da confiança dos CEO e impulsionou o regresso de megadeals, como confirma a PwC. As empresas enfrentam disrupções tecnológicas e procuram reforçar competências rapidamente através de aquisições. O relatório da Bain nota que as empresas passaram a priorizar criação rápida de valor, atuando tanto em sinergias de custos quanto de receitas e expandindo M&A de escala em setores de custos fixos elevados.
3. Melhoria gradual das condições de financiamento
Em 2025 observou‑se uma redução moderada das taxas de juro, aumento da resiliência económica e normalização dos mercados de capitais, fatores que facilitaram o apetite por transações. A BCG destaca que estas condições, juntamente com pipelines mais robustos, impulsionaram a atividade sobretudo no segundo semestre.
4. Forte atividade de Private Equity
Os fundos de private equity voltaram a ter um papel central. Estudo da KPMG sublinha que 44% das empresas de PE foram mais ativas em 2024 e 2025, com uma proporção crescente de transações superiores a 1 bilião de dólares. Dados de 2025 mostram que PE respondeu por quase 30% das transações globais, consolidando o segmento como motor crítico do mercado.
5. Desafios persistentes
Apesar dos avanços, o mercado enfrentou obstáculos significativos:
- Dificuldade em acordar avaliações (44% dos dealmakers, segundo a KPMG);
- Complexidade regulatória e volatilidade geopolítica, incluindo impactos de tarifas e eleições internacionais, segundo a PwC;
- Pressões de financiamento e preferências por negócios de menor risco.
Perspetivas para 2026
O ano de 2026 começa com otimismo moderado. Os principais relatórios convergem em que o mercado continuará a acelerar, mas num ambiente ainda complexo.
1. Continuação da recuperação, mas com assimetrias
A BCG indica que 2026 começa com uma combinação de confiança crescente e cautela persistente. A recuperação iniciada em 2025 deverá prolongar‑se, com Europa e Américas a liderarem o impulso, enquanto a Ásia‑Pacífico apresenta crescimento mais lento.
2. Regresso dos megadeals e transações mais estratégicas
A Goldman Sachs prevê que 2026 será marcado por negócios maiores, movidos por:
- Reposicionamento estratégico;
- Consolidação setorial;
- Ambições amplificadas pela tecnologia e pela globalização.
À medida que as avaliações se normalizam e a incerteza diminui, empresas líderes procurarão capacidades que as diferenciem, especialmente em IA.
3. Condições macroeconómicas mais favoráveis
Espera‑se que:
- A inflação continue a reduzir;
- As taxas de juro estabilizem ou desçam ligeiramente;
- Os mercados de capitais permaneçam abertos.
Isto cria uma janela atrativa para empresas financiarem aquisições e para PE realizar saídas há muito adiadas. A EY prevê um crescimento do volume de transações nos EUA de 3% em 2026, impulsionado por valuations crescentes e spreads de crédito reduzidos.
4. Private Equity continuará a dominar
A Capstone Partners destaca que o middle market deverá reabrir gradualmente em 2026 após anos de pressão, com PE a desempenhar um papel decisivo na revitalização do segmento. PE entra em 2026 com montantes expressivos de dry powder, maior flexibilidade de financiamento e um pipeline de saídas acumuladas.
5. Ambientes regulatórios e geopolíticos ainda exigentes
Embora menos voláteis do que nos anos anteriores, estes fatores continuam a exigir prudência e preparação devido a:
- Tensões comerciais;
- Evolução de políticas nas maiores economias;
- Regulamentação mais detalhada em tech e IA.
Posicionamento para 2026
O mercado de M&A em 2025 consolidou a recuperação e preparou o terreno para um 2026 de aceleração. No entanto, o sucesso não será uniforme. Empresas e investidores que pretendam prosperar deverão:
- Ter clareza estratégica e alinhar M&A com objetivos de longo prazo;
- Aprofundar due diligence, especialmente em tecnologia e integração pós‑aquisição;
- Aproveitar condições de financiamento melhoradas, mas mantendo o equilíbrio;
- Monitorizar riscos regulatórios e geopolíticos;
- Explorar oportunidades em IA, energia, saúde e serviços financeiros, setores destacados como motores de crescimento em 2026.
O próximo ciclo de M&A poderá ser marcado por maior escala, maior complexidade e maior impacto estratégico. Para quem estiver preparado, 2026 pode ser um ano transformador.
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